Quinta-feira 23 de Janeiro de 7496

Carlos do Carmo versus Moniz Pereira numa união musical

O primeiro dia do ano de 2021 ficou marcado pelo falecimento, aos 81 anos, do ícone do fado em Portugal, Carlos do Carmo, que não resistiu a um aneurisma na aorta, deixando a música portuguesa mais pobre.

JCMYRO / Central Noticias

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Depois de Amália Rodrigues, que colocou Portugal no Mundo ao cantar o fado por todo o lado, Carlos do Carmo era o outro símbolo da resistência lusa e a quem se deve o título que o Fado conquistou como Património Imaterial da Humanidade, porquanto foi o seu embaixador mais emblemático.

Tendo deixado de cantar e tido a despedida que foi possível fazer há um ano, Carlos do Carmo teve uma vida quase sempre no top nacional e internacional, apesar de alguns episódios menos positivos porque passou, mas fazendo uma vida repleta de vitórias.

Na RTP Memória deste primeiro dia do ano de 2021, foi passada em revista a história de um apuramento para o Festival da Eurovisão, em que Carlos do Carmo interpretou as oito canções a concurso, num programa de 1976 em que se recordam as peripécias, porquanto o Maestro António Victorino d’Almeida desempenhou o papel de “moderador” de um debate público, em estúdio, sobre os temas e as músicas das referidas canções, podendo ver-se na “plateia” presente ilustres portugueses, como Mário Moniz Pereira, José Neves de Sousa (jornalista), João Alves da Costa (jornalista) entre outros senhores da música e do jornalismo da altura.

A canção que venceu – e que foi a Haia, à final da Eurovisão – intitulou-se “Uma Flor de Verde Pinho”.

É fácil falar de Carlos do Carmo, porquanto era uma pessoa afável, amiga do amigo, sempre disponível para dar uma mão ali e outra acolá, no que foi aproveitado – e muito bem – pelos jovens fadistas que começaram a dar os primeiros passos e provenientes de três gerações.

Ao longo da sua via, Carlos do Carmo cruzou-se com um homem eminentemente do desporto, mas que também gostava de ouvir música, a tal ponto que começou a trautear no piano os sons que, algum tempo mais tarde, os principais fadistas, como Carlos do Carmo, começaram a associar às letras dos mais consagrados autores.

Gala do Desporto da CDP de 2009 #

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Daí o início da “união” musical como Carlos do Carmo, depois de Moniz Pereira (1971) também ter escrito e musicado o fado “Leio em teus olhos”, cantado pela mãe do fadista, a saudosa Lucília do Carmo.

Datam de 1963 os primeiros fados – arranjados nos intervalos dos treinos de atletismo no antigo Estádio José Alvalade – que lançou Moniz Pereira, como foram os casos de “Não me conformo!” (letra de Emílio Vasco e música de Moniz Pereira) gravado por Camané; “As duas faces do amor” (letra de Emílio Vasco e música de Moniz Pereira), gravado por António Pinto Basto e “Tristemente” (letra e música de Moniz Pereira) gravado por Tony de Matos.

No que foi o prelúdio do seu, quiçá, maior sucesso, em 1964, “Valeu a pena” (letra e musica de Moniz Pereira), gravado por Maria da Fé, deu uma maior força a Moniz Pereira para se guintar a outros patamares e a outros fadistas.

Carlos do Carmo teve oportunidade de gravar (1977), o “Fado Varina” (letra de José Carlos Ary dos Santos e música de Moniz Pereira) e o “Zé do bote” (1990), com letra de João Dias e música de Moniz Pereira, outro disco que ficou na ordem do dia desta parceria amiga de muitos anos.

Uma dupla que se havia “desfeito” há quatro anos e meio (2016) quando o amigo Moniz Pereira faleceu com 95 anos.

Moniz Pereira que, neste ano de 2021, completaria 100 anos se ainda estivesse entre nós.

Para um e outro vai a nossa homenagem e a recordação daquilo que nos deixaram e que nos ajudaram na vida de cada um que com eles tiveram oportunidade de conviver.

Fica a eterna saudade e o agradecimento a dois Homens bons, a dois portugueses de primeira linha, que conquistaram as estrelas que os acompanham hoje em dia no céu, que também é de todos nós.

Até sempre Amigos!

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