Como que embalados pelo golo “madrugador” (6’), os jogadores da seleção nacional depressa deram a entender que o adversário “estava no papo” e que não seria necessário forçar muito o andamento, afinal o que muitos viram ao longo do apuramento para este mundial de 2026.
Mas se em relação à primeira fase o calendário permitia alguma “folga”, nesta fase final ao mínimo descuido lá se foram os sonhos: não entramos como devia, não tivemos “gana” e muito menos raça, garra e espirito para se ser campeão, como João Cancelo referiu no final do encontro frente aos congoleses, tendo referido que “após sofremos o golo do empate, quase no último lance da primeira parte, ficamos sem chama, mais ou menos impávidos e, estranhamente, entramos para a segunda parte cabisbaixos”.
O que foi verdade. E porquê?
Por um lado, porque quando se ganha vantagem no marcador o passo seguinte deve ser o de insistir para se ver se se consegue aumentá-la, aproveitando o sentido negativo do adversário, que na equipa portuguesa não foi aproveitado. Do outro lado, a partir do 6º minuto, os congoleses trataram de recuperar a desvantagem, chegando-se mais à frente e melhorando o sistema que tinham montado inicialmente, que era de fazer correr a bola, mas devagar, porque um empata ente Portugal seria quase como uma vitória para o resto da competição, pelo menos do ponto de vista da confiança própria.
O que não aconteceu na equipa nacional. No primeiro tempo, Portugal apenas fez um remate à baliza (o golo de João Neves foi de cabeça), tal como o Congo, porquanto o golo (45+5’) também foi de cabeça (por Wissa, na zona do guardião Diogo Costa, que deveria ter saído e não ficado a dois metros da bola), percebendo-se que marcar golos parecia não ser um objetivo primordial das duas formações em campo.
Também uma vez mais – tirando a parte em que os jogadores portugueses tiveram mais posse de bola, em que não avançavam, logo não criavam perigo algum – fixou-se que Cristiano Ronaldo estava em campo, mas não se sabia para quê, porque quase nem tocou na bola. O que não pode acontecer em jogo nenhum, com maior prioridade para este, em que estava (está) em jogo um título mundial.
Na segunda parte, Francisco Conceição entrou (por troca com Bernardo Silva, quase sempre no preferido “tricot”, que não avança quando tem gente pela frente) para dar mais velocidade ao ataque, levando a bola até aos pés de Ronaldo que atirou ao lado, tendo o próprio “Xico” criado outra situação que podia dar golo, mas, em vez de se infiltrar e remate de pronto, atrasou para Ronaldo que falhou o remate.
Noutra arrancada, a bola ainda entrou na baliza dos congoleses, rematada por Cancelo, mas estava fora de jogo e o golo não foi validado, numa altura em que (56’) o Congo respondeu em forma, de forma rápida, com a bola a seguir para o poste da baliza de Digo Costa e a entrar, num golo que também não foi validado porque o avançado tinha feito falta sobre o defesa luso.
Rafael Leão e Nelson Semedo (69’) são chamados à equipa (saindo Pedro Neto e Nuno Mendes) mas o sistema continuou sem funcionar de forma diferente e mais atuante para se resolver o jogo.
Ronaldo (74’) foi assistido em velocidade, correu para a bola, rematou torto e a bola saiu fora da baliza.
Em último caso, Gonçalo Ramos foi chamado (83’) para jogar dez minutos, saindo Vitinha, para tentar fazer golo, mas nada se passou, porque os congoleses defenderam-se bem, uma dezena de minutos que quase foram “sufocantes” para as duas equipas, em que mais dois jogadores lusos foram amarelados (dos três que registaram).
Sobre o estádio (apinhado até ao teto, por era fechado) pairou sempre a “sombra” de Cristiano Ronaldo, que demonstrou falta de mobilidade e velocidade, em especial, mas que não foi substituído, como aconteceu quando Fernando Santos foi o selecionador. Não quer dizer que no próximo jogo não possa fazer um “jogão”, mas poucos são o que aceitam nisso. A “falta” de coragem do selecionador, se assim se poderá classificar a inércia verificada, tem contornos muito mais específicos, que se desconhecem, que levam Martinez a não poder fazer nada.
E se se recordar o que aqui foi escrito, não há dúvida que o ambiente federativo está “de cortar a respiração”, quiçá também ligado a que “o selecionador nacional vai sair depois do Mundial” ou ”mundial com um selecionador a prazo”.
Na estatística, Portugal rematou mais (9-8, dos quais 3-2 para a baliza, numa posse de bola – quase parada – de 75/25%) a que se soma três cartões amarelos que podiam ser escusados. Falta de concentração também outra tónica, lembrando-se ainda que Cristiano Ronaldo foi o único luso que não foi ao meio-campo agradecer aos milhares de pessoas presentes no estádio.
Algo errado se passa.
Aguarda-se que os espíritos acalmem e que a equipa “recupere” os mais fortes valores morais, sociais e desportivos, dentro de uma ética e integridade explícita e responsável.
Primeira ronda conclui-se esta quinta-feira
Depois do jogo de Portugal, a Inglaterra venceu (4-2) a Croácia, tendo Kane (12’ – grande penalidade – e 42’), Bellingham (47’) e Rashford (85’) marcado para os ingleses, com Baturina (36’) e Musa (45+5’) a obterem os golos dos croatas.
Nesta quinta-feira, encerra-se a primeira ronda dos grupos que tornearam a primeira ronda, com a vitória do Gana frente ao Pananá (1-0, por C. Yirenkyi), para o grupo L, enquanto o Uzbequistão foi derrotado pela Colômbia (1-3) jogo a contar para o grupo K, com golos de D. Muñoz assistido por L. Díaz , L. Díaz que depois marcava
com a assistência de G. Puerta e J. Campaz após a assistência de J. Hernández, para os sul-americanos e de A. Fayzullayev para a formação do Uzbequistão.
Da parte da tarde (18h) jogam Rep. Checa e África do Sul; e, 20h00, o encontro entre a Suíça e a Bósnia Herzegóvina, ambos a contar para a segunda ronda nos grupos A e B.
