Foi preciso sair Ronaldo (81’) para que surgisse alguém que pudesse ser o herói, como que improvável, para Portugal se apurar para os oitavos de final do Mundial de Futebol, no Estádio Toronto, numa cidade canadiana repleta de portugueses, residentes, a vibrar!
Com Portugal a perder (53’), o selecionador foi obrigado a fazer quatro substituições ao mesmo tempo, como garante de que era possível recuperar, Ronaldo ainda foi chamado para marcar uma grande penalidade (68’) para igualar o resultado e (81’) ser então substituído, o que não gostou muito, para que o cotado herói improvável pudesse entrar em campo.
De tantas voltas, para a frente, logo para os lados, logo para trás – quiçá ao modo do “fandango” do Ribatejo, – em que nada se passava face à passividade atacante lusa, ainda que dominador na posse de bola (70/30% no primeiro tempo, com 9-3 em remates, dois quais apenas 1-1 para a baliza), Portugal entrou com outro espírito em campo e toda a gente acreditou que o triunfo luso surgiria.
Via-se uma “nova alma”, com armas mais fortes para lançar ataques (Rafael Leão foi um delas), mas daí até chegar-se ao “corridinho (Algarve)” foi num instante, em que o lento começou a surgir, que só não criou mais problemas porque a Croácia esteve calculista de mais e queria ver para crer para escolher os momentos de fraqueza e tentar “matar” na primeira oportunidade.
Pela estatística, Portugal esteve sempre em vantagem, mas não marcava golos. Aliás, como se referiu, no primeiro tempo apenas um remate digno desse nome para a baliza foi feito por cada equipa, o que diz bem da pobreza do jogo de ataque. Apenas calculista e para ir passando o tempo, até que surgisse, de um ou de outro lado, uma brecha que desse origem ao golo.
Tanto que assim foi – e registe-se uma vez mais a disposição lusa para fazer mais e melhor – que não houve brechas, não houve concentração quando era preciso e até não houve golos por mero acaso, pese embora Portugal continuasse a jogar apenas com dez jogadores, concluindo-se com o zero-zero no final dos primeiros 45+4’ minutos.
No segundo tempo, a Croácia começou a mostrar os “dentes” e não fosse Diogo Costa a safar, Portugal podia ter ficado em mais apuros, porquanto a defesa, quiçá cansada, começou a quebrar, o que deu origem ao golo croata (53’), por Perisic, que dominou a bola no lado esquerdo, avançou um passo e, frente a Diogo Costa, meteu a bola por entre as pernas do guardião luso, aproveitando a “desunião” defensiva.
Três minutos depois (56’), a Croácia continuou a pressionar e acabou por meter a bola na baliza à guarda de Diogo Costa, salvando-se a situação porque o árbitro foi confirmar ao VAR que o jogador que rematou estava na posição de fora de jogo. Senão … sermão e missa cantada.
Situações que que fez soar o sinal de alarme, que levou o selecionador nacional a fazer quatro substituições no imediato, depois de Rafael Leão (58’) ter atirado a bola à trave e de Diogo Costa (59’) ter safado outro previsível golo, fazendo seguir a bola para canto.
Na transformação da grande penalidade (68’), Ronaldo rematou forte, concentrado, à figura do guarda-redes, que não defendeu porque, centésimos de segundo antes, se tinha atirado para o lado direito e a bola entrou diretamente na baliza.
Uma grande penalidade que foi feita sobre Renato Veiga, com o defesa croata a agarrá-lo e fazê-lo cair, ainda que tivesse que reconfirmar no VAR.
A Croácia, sob a batuta de Modrijc, continuou a tentar o golo, meteu a bola na baliza de Diogo Costa, só que numa situação de fora de jogo, o que manteve o resultado e, último dos últimos, Martinez fez a quinta e última substituição fazendo entrar Gonçalo Ramos e sair Ronaldo, que não gostou da “festa”. Mas também não reclamou.
Com o tempo de compensação em funcionamento, Francisco Conceição foi até à linha final e centrou para o miolo da pequena área, onde surgiu Gonçalo Ramos, saltando no meio de dois defesas croatas, subiu mais alto e desviou a bola para a baliza, ante um certo ar de espanto do guarda-redes, que não esperava, porque se pensava no prolongamento.
O 2-1 chegou aos 90+4’ e o difícil, para Portugal, foi aguentar o ímpeto croata para que o triunfo imperasse, o que se verificou e Portugal passou aos oitavos de final do Mundial de Futebol, defrontando a Espanha (20h) na próxima terça-feira.
Foi um final feliz para Portugal, mas muito menos para a Croácia, que nas duas últimas edições foi à final e ficou 3º lugar.
A caminho do fecho, a Espanha derrotou (3-0) a Áustria, com golos obtidos por Oyarzabal (36’ e 89’) e Porro (66’) e os Estados Unidos venceram (2-0), com golos de Bologun (45’) e Tillmann (82’).
A fase final dos dezasseis avos prosseguiu nesta sexta-feira pela madrugada, com o jogo Suíça-Argélia, vitória por 2-0 da equipa helvética, com golos de Breel Embolo, (10′) e Dan Ndoye, (46′), logo mais pelas 19 horas temos o Austrália-Egipto (23h) e às 23h, o muito esperado da outra equipa de fala portuguesa, o Argentina-Cabo Verde.

