Com muitas lágrimas à mistura e a tomarem o lugar das palavras, o antigo 57º do ranking mundial foi acarinhado pela companheira Rute Valente e a filha Camila, de nove meses, e pelas centenas de pessoas que se deslocaram ao Clube Internacional de Foot-Ball para se despedirem do Mágico, cognome por que passou a ser conhecido em 2015.
Aos 35 anos, Gastão Elias colocou oficialmente um ponto final na carreira no Lisboa Belém Open.
Nascido a 24 de novembro de 1990, cedo o talento de Gastão Elias despontou, quando pegou na raqueta aos quatro anos por influência do pai, a quem copiou o nome, e a mãe Dolores, sempre torcedora dos feitos do delfim em silêncio e com sorriso orgulhoso e cândido, acompanhada da filha Beatriz, também ela uma fã dos feitos do irmão.
Entre sorrisos e lágrimas emotivas, foi assim que, esta terça-feira, viram o tenista da família arrumar as raquetas após duplo 2-6 diante do italiano Francesco Passaro, campeão no passado domingo do Maia Open, outro ATP Challenger 100 organizado pela Federação Portuguesa de Ténis (FPT).
Vários jogadores da atualidade, como Nuno Borges, Henrique Rocha, Francisco Rocha e Frederico Ferreira Silva quiseram elogiar uma carreira, encetada em 2008 profissionalmente, e pejada de sucessos que começaram logo nos escalões mais jovens.
Memórias que o “tio Manecas” – Manuel Sousa, responsável pelas escolas do clube – quis imortalizar numa fotografia emoldurada, tal como o CIF através de uma t-shirt e troféu, Rute num livro de autor e a FPT que, através do presidente João Paulo Santos e do CEO Vasco Costa, num simbólico galardão de porcelana.
O tenista da Lourinhã foi campeão nacional de sub-12, em singulares e pares (2002), repetindo o feito nos sub-14 em 2003 e 2004 em singulares e pares, neste caso ao lado de Martim Trueva e João Sousa, respetivamente. Elias foi ainda campeão de sub-16 em 2005, altura em que emigrou para os Estados Unidos para a afamada Academia de Nick Bollettieri, na Florida.
Como júnior, disputou quartos de final de Wimbledon em 2007 e do Open da Austrália, neste caso em pares. Na relva londrina também discutiu o acesso às meias-finais ao lado do amigo Pedro Sousa.
Com 18 títulos internacionais em 37 finais, é o recordista português de troféus de nível challenger, dez em 23 finais de singulares disputadas, Gastão Elias ficará para a história como o primeiro tenista luso a saborear a vitória em Jogos Olimpicos, para o efeito no Rio de Janeiro-2016 quando superou o australiano Thanasi Kokkinakis.
Na carreira que descreveu como “um milagre” tal a quantidade de lesões, nomeadamente a do ombro que o arredava dos courts após cada semana bem sucedida, Elias marcou presença em duas semifinais do circuito ATP em 2016: no ATP250 de Bastad, suplantou o compatriota João Sousa e perdeu de seguida com Fernando Verdasco, e no ATP 250 de Umag, onde salvou um match point antes de levar de vencida Pablo Cuevas, tendo perdido com Fabio Fognini, mas a primeira vitória ATP aconteceu na terra batida caseira do Estoril Open em 2013, onde só foi travado pelo suíço Stan Wawrinka no quartos de final.
Ao serviço da Seleção Nacional estreou-se em 2007 frente à Geórgia, tinha 16 anos. Foi convocado 28 vezes e disputou 23 eliminatórias, totalizando 16 triunfos e 23 desaires entre singulares e pares.
Gastão Elias assegura que vai acordar “mais aliviado” esta quarta-feira e os adeptos da modalidade despertarão com a certeza de se terem despedido de um prodígio.

