Terça-feira 19 de Janeiro de 2021

Líder de líderes afastou-se das lides

mario santos 08jul 1349 Ambicao OlimpicaMário Santos saiu … “até um dia”!
Segredo muito bem guardado, não se sabendo desde quando, Mário Santos, o “medalhado” presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, abandonou o dirigismo desportivo português.

A notícia só foi conhecida pela madrugada, pelo que a comunicação social não conseguiu divulgar em termos nacionais, a não ser pelas páginas “online” de cada um
Depois de nove anos de intensa actividade, que levou à conquista das únicas medalhas (prata) para Portugal nos Jogos Olímpicos de Londres, a que se acrescentaram (antes e depois) mais uma dúzia de medalhas em campeonatos da europa e do mundo, um verdadeiro sucesso, Mário Santos como que bateu com a porta com algum “estrondo”, mais a mais quando já desempenhava as funções, além de vice-presidente do COP, de chefe de missão para os Jogos do Rio de Janeiro’2016.
Para além da vertente dita profissional (presidente da federação) – a ganhar muito espaço à advocacia que exerce e que é o sustento familiar – o nó górdio parece estar relacionado precisamente com a família, numa altura em que, com filhos ainda crianças e jovens, procura ser um pai presente mas…cada vez mais ausente.
Esta dedução deriva do documento que o próprio enviou à Lusa, onde sublinhou que “todos os cargos que desempenho em termos associativos no desporto conduzem a um inevitável aumento das obrigações e compromissos do presidente da Federação, exigindo uma ainda maior disponibilidade e dedicação”.
Reforçou ainda Mário Santos, um dirigente de grande verticalidade moral e intelectual, que “não vive imune à situação económica do país”, pelo que se vai dedicar à advocacia – “foi sempre a única fonte dos meus rendimentos” – para
“garantir o bem-estar familiar”.”
“A minha mulher e as nossas três crianças – rematou – sempre se sacrificaram em função da minha paixão e compromissos assumidos no desporto. Está na hora de, em fase tão importante do seu crescimento, lhes dedicar a atenção devida, zelar pelo futuro dos que estão à nossa responsabilidade”.
Quanto à situação da Federação de Canoagem, Mário Santos disse que “entendo que uma menor disponibilidade conduziria à não concretização dos objectivos, pelo que entende não ter “alternativa”, assumindo ser “hora de devolver à modalidade, de forma democrática, as rédeas do seu destino”, em forma de eleições.
A concretização do Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho, a criação da residência Universitária, a nova sede da federação e a organização de três Campeonatos da Europa e dois Campeonatos do Mundo, entre a pista e maratonas, são outras “medalhas” relembradas.
Depois de agradecer ao presidente do Comité Olímpico de Portugal o fair play como lidou com a minha posição, que compreendeu e aceitou, despediu-se referindo que “não é um adeus, mas um até um dia, porquanto o desporto está no meu ADN”.
Esta questão encaixa-se como uma luva em milhares de situações que foram surgindo ao longo de muitos anos através da actividade protagonizada por dirigentes benévolos a quem, não cumprindo a posição agora tomada por Mário Santos – sair do desporto para ajudar a criar os filhos – contribuíram, embora que inadvertidamente e a bem do desporto deste país, destruir muitas famílias pelas constantes ausências do pai e marido.
Num caso, por exemplo, respeitante a um dirigente federativo e associativo, soube-se que, na prática, não viu os filhos crescer durante uma década (entre os 5 e os 15 anos), nos anos oitenta, precisamente pelo desencontro de horários, de constantes ausências no país e no estrangeiro. Teve a sorte de ter uma família unida que contribuiu para que não houvesse males maiores.
O que hoje em dia não dava resultado. Como o prova a decisão de Mário Santos em se dedicar à família enquanto tem qualidade de vida para ver os três filhos chegarem a adultos com uma educação normalmente acompanhada numa família estruturada. Isto também é amor ao próximo. A quem o acompanha no dia-a-dia!
Um excelente exemplo. Mais a mais quando o desporto é cada vez mais … para menos, onde ética, fair play, sociabilidade, solidariedade, são palavras quase sem sentido.

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