Quarta-feira 17 de Junho de 2601

Reflexão Mundialista IV

O Mundial de Futebol ferve muito e há muito tempo. Primeiro, o anúncio da África do Sul enquanto país anfitrião. Depois, a nossa qualificação sofrida. Agora, os adversários que nos calharam. E em Dezembro de 2010? Sim, leram bem: Dezembro de 2010.

Daqui a um ano, a FIFA anunciará a candidatura vencedora à organização do Campeonato de 2018. Pois, essa mesma! A nossa e a de nuestros hermanos. Independentemente de se gostar mais ou menos do logótipo ou de se achar que a organização deste evento é (ou não é) uma prioridade estratégica nacional, vou concentrar-me na análise do que é conhecido desta candidatura. Ela está feita, não há volta a dar, por isso mais vale discutir sobre o que é em vez do que poderia ter sido.

Começo por citar o Presidente da Federação Espanhola: “Num orçamento que fizemos, serão cerca de seis, sete milhões de euros, em que 60 por cento serão cobertos pela Federação Espanhola de Futebol e 40 por cento pela Portuguesa”. Segundo se diz, caso a candidatura ibérica triunfe no concurso, serão escolhidos oito estádios. Destes, três serão portugueses. No limite, numa organização com dez estádios, Braga ou Faro também poderão entrar na equação. Se de um ponto de vista aritmético 40 por cento fazem sentido (3 em 8, ou 4 em 10), em termos relativos não percebo estas contas.

Em 2004 e 2006, organizámos os Europeus de Seniores e de Sub21. Os nossos três estádios “garantidos” obtiveram a classificação “5 estrelas” por parte da UEFA, para já não falar do demais parque desportivo nacional que foi enormemente ampliado e renovado antes de 2004. Com três (ou quatro) estádios, não devermos receber um tão grande número de jogos (se negociarmos muito bem, talvez consigamos a abertura, um terço da fase de grupos, dois quartos-de-final e uma meia-final). Em termos de capacidade hoteleira, infraestruturas, vias de comunicação e serviços de apoio, penso que até estamos bem orientados (mesmo que a construção do TGV e de um novo aeroporto na capital seja adiada).

Olhando para Espanha, não sei como estão as suas infraestruturas. Apenas não gostaria que parte dos nossos 40 por cento fosse encaminhada para a renovação dos equipamentos em Madrid, Barcelona, Valência, Sevilla, La Coruña e Málaga ou Zaragoza ou Bilbao ou Valladolid.

Ambas as Federações admitiram precisar de um parceiro organizativo. Ambas reconhecem mais valias pela participação da congénere. Porém, convém explicar muito bem os contornos deste orçamento. Não podemos correr o risco de financiar mais “Aveiros” ou “Leirias”, nem de alimentar os egos e os proveitos de outrem, mesmo que precisemos dele. Até lá, ainda teremos um novo Campeão Mundial em 2010. Rola a bola!

 

 

 

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