Sexta-feira 12 de Abril de 2024

Estudo publicado na Science mostra que a camada de gelo da Antártida Ocidental pode ter colapsado há 120 mil anos

camada de gelo da Antártida Ocidental

Universidade de Coimbra

Um estudo, em que participa Catarina Silva, investigadora do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), mostra que a genética do polvo Pareledone turqueti contém um grave alerta para o aumento do nível do mar: a camada de gelo da Antártida Ocidental pode ter colapsado totalmente durante o Último período Interglacial, há cerca de 120 mil anos, quando as temperaturas globais eram semelhantes às atuais.

 

Este estudo, acabado de publicar na revista Science, fornece a primeira evidência empírica de que o colapso desta camada de gelo pode acontecer mesmo sob as metas do Acordo de Paris, de limitar o aquecimento a 1,5-2 graus celsius (ºC).

De acordo com Catarina Silva, co-autora do artigo científico, a investigação ajuda a compreender se a camada de gelo da Antártida Ocidental colapsou ou não num passado recente, quando as temperaturas globais eram semelhantes às de hoje, aumentando a precisão das futuras projeções globais de aumento do nível do mar. «Esta questão é muito importante, porque um futuro colapso total da camada de gelo da Antártida Ocidental pode levar ao aumento do nível global do mar de 3 a 5 metros», alerta a investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) do DCV.

A análise genética de polvo Pareledone turqueti «permitiu identificar se e quando as populações estiveram em contacto e trocaram material genético. Nós comparamos os perfis genéticos das populações nos mares de Weddell, Amundsen e Ross e encontramos conectividade genética que remonta ao Último Interglacial», finaliza.

Esta conectividade genética só seria possível se ocorresse um colapso completo da camada de gelo da Antártida Ocidental durante o Último Interglacial, abrindo rotas marítimas ligando os atuais mares de Weddell, Amundsen e Ross. Tal, teria permitido que o polvo atravessasse o estreito aberto e trocasse material genético, que podemos identificar no ADN das populações atuais.

As descobertas deste estudo, liderado por investigadoras da Universidade James Cook, Austrália, apoiarão a tomada de decisões em torno de medidas de adaptação e mitigação nas regiões costeiras de todo o mundo.

O artigo científico está disponível para consulta em: https://www.science.org/doi/10.1126/science.ade0664.

Universidade de Coimbra

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