Não foi o resultado que mais se previa, mas o Benfica foi o que mais ganhou com o triunfo alcançado no Estádio José Alvalade para manter viva a esperança de poder chegar ao segundo lugar da Liga Betclic.
Numa partida que, em termos de ética, transparência e integridade – temas muito debatidos na semana que ora se cumpriu – deviam ser a primeira tónica a ter em consideração para garantir essas premissas no desporto, mormente no futebol, com relevo na marcação dos horários dos jogos que tenham influência na luta pelos lugares de eleição (ou descer de divisão), uma vez mais não foi a lógica verdadeiramente humana que funcionou, mas separar dois jogos apenas para efeitos financeiros.
Está escrito que os jogos das três últimas jornadas da Liga Betclic (além de outros, noutras categorias) devem ser tomados cuidados para não ferir as suscetibilidades na luta pelos pontos, pelo que os jogos que estejam nessas condições devam ser disputados em simultâneo.
O que não aconteceu neste domingo com o Sporting-Benfica a ser mais cedo do que o FC Porto-Tondela, quando deviam jogar no mesmo horário, porque as partidas “buliam” diretamente com os interesses da verdade desportiva. Mas, como tem sido hábito, tudo continua a assobiar para o ar e os parâmetros da ética, transparência e integridade continuam a diluir-se apesar de “toda a gente” apregoar que “somos os arautos destes prismas em tudo o que fazemos”!
Assim sendo, em Alvalade, o que estava presente era um “fundo negro”, invisível, que terá provocado um certo mal-estar de ambas as equipas, ainda que soubessem o que deviam fazer para obter o melhor resultado. Uma questão (mental) que não é tida em conta.
A este propósito, recorda-se a verdadeira ética desportiva de quando todos os jogos da primeira divisão, no futebol, se jogavam pelas 15 horas, em todos os domingos, nos vários campos, e que não havia mal nenhum nisso, porquanto todas as famílias estavam reunidas num mesmo local, consoante o calendário das várias competições.
Posto isto, com um Benfica “empatado” e a precisar de ganhar (por ausência de vitórias), o Sporting, por jogar em casa, teria sempre um certo favoritismo, mas tinha ainda às “costas” a eliminação frente ao Arsenal, há uma semana, para a Liga dos Campeões.
Mais ou menos cansadas, as equipas entraram em bom ritmo, mas também com algumas “picardias” para o ambiente aquecer.
Com cinco minutos de jogo, Catamo, jogando pela direita, isolou-se até à grande área da baliza benfiquista e rematou forte, que Trubin, com o braço, conseguiu desviar a bola por cima da barra. Na sequência, Rios como que se “vingou” e perto da grande área rematou forte, mas Rui Silva estava atento e desviou para canto (8’), surgindo (12’) Catamo a querer furar a área benfiquista, mas a bola foi desviada por Otamendi para canto, que nada resultou.
E o primeiro momento grande do jogo surgiu (14’) quando Trincão, em luta com Aursnes se “amarram”, caiem os dois dentro da grande área benfiquista e faltava ver o que diria o VAR, cinco minutos depois, confirmando que o jogar pisou o pé do sportinguista e assinalou a marca de grande penalidade. No cumprimento da missão, Luis Suàrez rematou rasteiro, denunciado, Trubin adivinhou para onde ia e desviou bem a bola para fora.
Com este balde fria e apesar da velocidade de movimento ainda com chama forte, foi o Benfica a que continuou a criar lances de perigo (25’), quando Otamendi cabeceou e a bola subiu para tocar na mão de Morita e o árbitro assinalou a grande penalidade – que foi confirmar ao VAR – e que Schejelderup marcou de forma alta e colocou o Benfica a vencer por 1-0, depois de ter chutado a bola para um lado e o guarda-redes seguir para o lado contrário.
À passagem da meia hora Diomande desviou um remate do atacante benfiquista para a sua própria baliza, salvando Rui Silva que estava atento.
Catamo (37’) continuou a querer fazer tudo, de forma individualista, ao estilo passa um, passa outro, não passa mais e a jogada perdeu-se, tendo o capitão Hjulmand sido brindado com um cartão amarelo por protestar demais.
No primeiro tempo, o Sporting rematou mais (6-2) dos quais 2-2 para a baliza, com uma posse de bola de 64/36%, não tendo aproveitado para poder estar, no mínimo, empatado.
Na segunda parte, foi o Benfica que entrou à procura de aumentar a vantagem, mas Pedro Gonçalves (50’) chutou ao poste, tendo Schjelderup (52’) rematado forte com o pé esquerdo e obrigado Rui Silva a estirar-se e mandar a bola para canto, guardião que acabou por também um amarelo por retardar a reposição da bola em jogo.
Pedro Gonçalves começou a perder força no remate e (60’) Debast e Vagiannidis entraram em campo para dar maior vivacidade à equipa leonina, tendo Quenda rendido (67’) precisamente Pedro Gonçalves. Nesta altura, o Sporting mantinha vantagem nos remates (12-7, dos quais 3-4 para a baliza e mais posse de bola – %8/42%), o que levou o Sporting ao empate (1-1), depois de Debast centrar da direita para a esquerda e a bola a pingar na pequena área, onde Morita se elevou mais alto e cabeceou para o ângulo da baliza mais longe, aproveitando um desequilíbrio de Trubin, que não teve reação para sair da linha de baliza.
O Benfica fez quatro substituições para dar a volta ao marcador, ainda que o Sporting se mantivesse firme de ainda chegar ao triunfo, com (82’) Barreira a testar a baliza sportinguista, que estava meio aberta, mas rematou por cima da barra.
Entretanto, Nel deu entrada no campo e ainda teve tempo de chutar para a baliza, mas estava em fora de jogo e o golo não foi comprovado.
Com cinco minutos de compensação, com a entrada anterior de Rafael Silva, o Benfica tentou aproveitar a fogosidade do avançado e, em abono da verdade, foi ouro sobre azul: num ataque (90+3’) pilotado pelo Benfica, Rafael Silva saiu por detrás da defesa leonina, colou-se na frente da jogada e rematou à saída de Rui Silva, fazendo o 2-1 para os encarnados, chegando a partida ao final momentos depois.
Fica-se com a nota positiva de que o Estádio de Alvalade bateu o recorde de assistentes após esta 30ª jornada, tendo o número de visitas atingindo a cifra de 51.470.
É altura de fazer a análise do que aconteceu e do que se pode prever para as quatro últimas rondas, ainda que cada jogo é um jogo, com surpresas e nem tanto.
Nos outros jogos deste domingo, o FC Porto venceu (2-0) o Tondela, com golos de Gabri Veiga (48’) e Victor Froholdt (65’); o Sporting de Braga e o Famalicão empataram (2-2), com golos de Fran Navarro (2’) e Ricardo Horta (90+7’) para os bracarenses e Gil Dias (40’) e Rafa (65’); o Arouca derrotou (1-0) o Estrela da Amadora, com um golo marcado por Tiago Esgaio.
Nesta segunda-feira conclui-se a ronda com o jogo Moreirense-Estoril (20h15).
