Pela primeira vez na história do futebol português, uma equipa dos escalões inferiores (II Liga) conquistou a Taça de Portugal e obteve o passaporte para a Liga Europa, depois de encostar o Sporting à parede, a quem venceu (2-1).
Tratou-se do Sport Clube União Torreense, de Torres Vedras, uma coletividade nascida em 1 de Maio de 1917, tendo completado 109 anos, que ousou ombrear com os poderosos dos poderosos e houve-se a contento depois de 125 minutos de jogo, em que os leões, ainda que dominadores, não mostraram a garra suficiente que se esperava, face a uma putativa “fragilidade” que se admitia como uma mosca a enfrentar um leão.
O resultado foi precisamente o contrário. Quem quer ganhar, procura caminhos, afasta debilidades, cria ânimo positivo e traça um ou vários percursos para encontrar a saída (ou entrada) em ombros. O que o Sporting não demonstrou na plenitude que os associados e adeptos pretendiam.
Em termos técnicos, a qualidade do futebol praticado nem chegou a médio, a estratégia não funcionou, psicologicamente – não chegar ao título de campeão, falhado antes – também não encontrou métodos “psicóticos” para alavancar a saúde mental, fisicamente também não funcionou bem, restante um pouco de sorte, o que também não aconteceu. É que “a sorte dá muito trabalho”, como Moniz Pereira dizia muitas vezes aos atletas que treinava. E como não se procura, do céu também não caiu.
A forte insistência (quase em todos os jogos) em binómios Trincão/Catamo (dois esquerdos a jogar no lado direito, ou no esquerdo) de vez em quando resulta, mas não é sempre. Depois não há (houve) alternativas, aliando-se a um Pedro Gonçalves que também não se encontrou, muito menos quando (20’) sozinho frente à baliza (aberta) atirou para as nuvens e (33’) rematou ao poste.
Se se juntar as “manias” – sistemáticas – de Luis Suàrez se “atirar para o chão”, porque alguém lhe tocou, procurando a falta e ou a amostragem de um cartão, depressa se viu que pouco funcionou, ainda mais quase em ritmo parado, terminando o primeiro tempo com enganadores 10-2 em remates, dos quais 3-1 para a baliza, numa posse de bola de 67/33% (primeiro tempo), com o segundo a ser ainda mais lato (24-5, 72-2 e 72/28%) mas em que o resultado (golos) foi negativo (1-2), comprovando-se que quem remata muito não chega para ganhar jogos.
Zhoi abriu o marcador (3’), com Léo Azevedo a desviar de cabeça, para onde Morita não conseguiu desviar a bola da zona, que seguiu para o segundo poste e surgiu na cabeça de Zhoi, seguindo para dentro da baliza, resultado que se manteve até ao intervalo, ante a passividade leonina.
Na segunda parte, situação idêntica – mas com o cansaço a surgir – tendo a defesa de Torres Vedras falhado na interseção da bola, que surgiu nos pés (53’) de Luis Suàrez, que fez o empate, com um remate à meia-volta, ante a passividade da defesa
Com o jogo lento e ter que decidir o jogo, para evitar as grandes penalidades e prolongamentos, as duas equipas pouco se mexiam, com o guardião Torreense a safar na hora sempre que a bola chegasse à sua zona de baliza, o que se verificou até final dos 90 minutos.
Entrou-se na meia hora de prolongamento e no decorrer do primeiro quarto de hora nada se passou, seguindo-se para os restantes 15 minutos, onde (112’) Maxi Araujo fez falta grossa sobre o adversário, foi expulso com um vermelho direto, que valeu a grande penalidade. Stopira colocou-se em linha, correu para a bola e rematou forte com o pé esquerdo, com a bola a seguir a meia altura e Rui Silva esboçou um voo para tentar chegar à bola, mas encolheu-se antes e a bola entrou, para gáudio da equipa de Torre Vedras, que ficou em vantagem.
Foi ainda o Torreense que esteve perto de marcar (3-1), aos 120+4’, mas o avançado estava fora de jogo.
Com o Estádio Nacional com uma excelente moldura humana, com todos a remar para os Leões da capital do País, a verdade é que os verdes e brancos não souberam tornear as fraquezas e acabaram por perder tudo nesta época, no que ao futebol diz respeito, não fizeram o trabalho de casa e reprovaram o ano letivo.
Para os apaniguados do futebol, venha o mundial! Depois se verá o que vai acontecer no Sporting e no Benfica, onde as coisas também ainda não estão decididas quanto à nova época.