Com o regresso ao top-100 assegurado ainda antes de pisar o Court Suzanne-Lenglen, Jaime Faria deixou o segundo court principal de Roland Garros ao fim de quatro horas, colocando um ponto final numa caminhada encetada no qualifying.
Diante do número 22 mundial, Frances Tiafoe, o lisboeta esteve perto de se tornar no primeiro português nos oitavos de final do Grand Slam da terra batida. Mas foi o 19º favorito a brilhar mais e já tinha virado a meia-noite em Paris, quando o 115º mundial, de 22 anos, se despediu com os parciais de 6-4, 7-6 (7/2), 6-7 (4/7), 1-6 e 2-6 no primeiro encontro da carreira a cinco sets.
Com dois ases e um winner, Jaime Faria assinou o primeiro jogo no Court Suzanne Lenglen, sem tremer quando Tiafoe, 22º mundial, exibindo o arsenal de pancadas. O primeiro breakpoint do confronto foi favorável ao lisboeta depois de dupla-falta do norte-americano (2-0).
A experiência do 19º pré-designado, quarto finalista parisiense em 2025, prevaleceu e de imediato surgiu o contra-break (2-1). A disparar winners, o jogador que integra o Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis foi dando o que fazer ao duplo finalista do Millennium Estoril Open, tendo em 2018 participado na histórica conquista de João Sousa, o melhor tenista português de todos os tempos.
Jaime Faria chegou aos dois primeiros setpoints (40-15) no serviço do antigo número dez mundial. Com 17 winners (vs. seis do oponente), e serviços a atingir os 230 km/h, o número dois luso ficou mais perto de inéditos oitavos de final da carreira num Grand Slam. História que ficou ainda mais próxima de se materializar depois dos 62 minutos do segundo parcial decidido no tie-break, após uma recuperação de 3-5. Com 17 winners, um de dois breaks convertidos e uma percentagem de 73% de pontos ganhos no primeiro serviço, Jaime Faria fazia o festival do ténis numa altura em que, na Cidade-Luz, o fogo de artifício celebrava a vitória do PSG na Champions.
No terceiro set, um break ao sétimo jogo (4-3) e o punho em riste refletia a confiança do jovem português. A servir duas vezes para não adiar a decisão para um quarto set, Jaime Faria chegou aos 20 ases, empurrando para o segundo tie-break. Com dois mini-breaks, Tiafoe tomou as rédeas (3-0) e adiou o nome do vencedor para mais um set.
No quarto parcial, chegara a hora das soluções para Tiafoe (1-4) e dos erros para o português, perdulário nas duplas-faltas. De semblante apagado, Faria caminhou a passos largos para o primeiro embate a cinco sets da carreira (1-6). Das bancadas quase vazias, já ao virar da meia-noite na capital francesa, ainda se ouvia gritar por Jaime, numa altura em que era o adversário quem comandava o curso dos acontecimentos (2-1), reforçados com um break, o sétimo do norte-americano, ao 2-4.
O fim da linha para Faria ficou mais próximo com 2-5 de Tiafoe, agora homem dos winners, perante um Jaime a acusar a pressão e, ao segundo match point, um erro não forçado representou o adeus do português que deixou o court sob merecidos aplausos.
Mário Trindade nos pares polacos do Ténis Adaptado
Isento da ronda inaugural pela condição de segundo cabeça de série, Mário Trindade não conseguiu saborear a vitória WC50 Plock Orlen, torneio internacional polaco no qual o português compete categoria quad.
Em singulares, diante do francês Jean Felix Boudon, o tenista do Royal Viseu TC cedeu 1-6 e 2-6 nas meias-finais.
No quadro de pares, disputado em round robin, o único português a integrar o projeto paralímpico para os Jogos Olímpicos de 2028 não teve melhor sorte ao lado do norte-americano Dez del Barba. Diante do par japonês Shota Kawano e Chihiro Yoshikawa, a dupla luso-americana cedeu 3-6 e 2-6.
Na fase de grupos, Mário Trindade e Dez Del Barba mediu forças com o francês Jean Felix Boudon e o britânico Gary Cox, tendo o par luso vencido o primeiro (6-4) e perdido o segundo jogo (6-1 / 10-8). (Foto )

