Henrique Rocha não resistiu ao terceiro desafio da semana e foi eliminado nos quartos de final do Lisboa Belém Open, mas deixou o Club Internacional de Foot-Ball com a estreia no top-100 do ranking ATP assegurada.
A representação lusa resume-se a Tiago Pereira, que este sábado jogará a segunda final de pares consecutiva num Challenger organizado em Portugal.
Um ano depois de ser finalista, Henrique Rocha (105º ATP) falhou uma nova presença no fim de semana de decisões ao ceder por 6-2 e 6-4 no reencontro com Elmer Moller (163º).
O dinamarquês tinha ganho os dois embates anteriores e voltou a causar-lhe muitas dificuldades com padrões atípicos, tirando proveito de uma esquerda acima da média — e muito elogiada pelos companheiros de circuito — para o desequilibrar.
“É um adversário que me deixa muito desconfortável”, admitiu Rocha em conferência de imprensa. “Insisti muito na esquerda dele porque sempre que trocava para a direita ele fazia-me uma bola que era a que estava a chatear-me mais no jogo todo, uma bola alta na minha esquerda. Era a que eu estava a falhar mais vezes e acabei por fugir dessa bola e ficar mais na esquerda cruzada porque na minha cabeça estava a causar-me mais dano do que ficar nessa diagonal.”
Apesar da eliminação, Henrique Rocha acabou por ver assegurada a entrada no top 100 do ranking ATP pela primeira vez na carreira ainda durante o encontro.
Para depender de si próprio, o portuense precisava de repetir a presença na final, mas resultados de terceiros garantiram esse cenário e na segunda-feira será, na pior das hipóteses, o 100º da hierarquia, junta-se à elite lusa: João Sousa (28º), Nuno Borges (30º), Jaime Faria (56º), Gastão Elias (57º), Rui Machado (59º), Fred Gil (62º), Nuno Marques (86º) e Pedro Sousa (99º).
“O top 100 é uma meta, mas é uma das várias que posso alcançar ao longo da carreira e acho que hoje não fiz tudo para ser 99, 98, ou 97. É isso que nos alimenta como jogadores e é nisso que quero focar-me”, explicou. “No circuito fala-se muito do top 100 e ficou contente, é uma marca importante para mim e é bom reconhecer estas pequenas etapas, mas é mais uma e a vida continua. Há mais coisas na vida que me deixam feliz além do top-100.”
Este sábado, Elmer Moller tentará alcançar a quinta final Challenger em Portugal (campeão em Braga-2024, Oeiras e Maia-2025 e finalista em Braga-2026) ao enfrentar o surpreendente Gulin Svyatoslav(545º), lucky loser russo que eliminou o italiano Andrea Pellegrino (144º), sétimo cabeça de série e vice-campeão em 2021.
Na primeira semifinal do dia estarão frente a frente Marco Trungelliti e Alexander Ritschard.
Tiago Pereira na 35ª final da carreira no CIF
Pela segunda semana consecutiva, Tiago Pereira é candidato ao título de um ATP Challenger ao lado do espanhol Benjamin Winter Lopez.
Depois do Maia Open, o algarvio vai disputar a décima final da temporada no Lisboa Belém Open, também organizado pela Federação Portuguesa de Ténis, desta feita no Clube Internacional de Foot-Ball.
Na terra batida do centenário clube do Restelo, a dupla ibérica superiorizou-se ao par composto pelo romeno Alexandru Jecan e o polaco Szymon Kielan, parceiro com quem Tiago Pereira conquistou o ATP Challenger 100 de Montemar, em Alicante, um dos quatro troféus deste nível que o algarvio conta no currículo.
Os parciais de 5-7, 6-3 e 10-8 foram encontrados num renhido super tie-break ao fim de 1h24 minutos. Tiago Pereira garantiu, assim, vaga na 35ª final internacional da carreira, décima de nível challenger, sendo as demais 25 são referentes ao circuito da World Tennis.
“Estou muito feliz. Sabia que ia ser um encontro extremamente duro. Caiu para o nosso lado. Ainda tive uns pesadelos vindos da semana passada quando chegou ao 9-8. Conseguimos desenrascar bem e ganhar o encontro”, resumiu Tiago Pereira, com o sorriso a refletir a alegria da alma.
“Estar pela segunda semana consecutiva na final de um challenger é especial, pois este circuito é muito duro, todos os jogadores são excelentes. Estou muito feliz por estar a jogar com o Benji, com quem me estou a divertir bastante”, acrescentou o português, 111º mundial de pares que refuta pressão de poder terminar 2026 no top-100 da variante. “Estou a lidar de uma maneira positiva com isso, ainda me considero um jogador de singulares, não tenho só isso em mente. Tenho noção que, se não acontecer não tem problema”, vincou.
O tenista português, que busca o quinto troféu challenger, ainda não sabe quem vai encontrar do outro lado da rede para tentar chegar ao sétimo título internacional de 2026. Certo é que tem de aguardar pelo desfecho da meia-final entre Cornea/Wehnelt e os polacos Drzewiecki/Matuszewski.
Enquanto isso, é a jogar golfe com o pai e treinador Pedro Pereira que vai encontrando o equilíbrio. “Esta é a oitava semana seguida e estou fora de casa há sete, têm sido um pouco pesadas mentalmente. E o golfe é um desporto que ajuda a abstrair-me do que se passa à volta. Gosto de jogar, sobretudo, por ser com o meu pai. É um hobby que temos os dois. E eu ganho sempre”, rematou a rir.

