Terça-feira 23 de Julho de 2024

Ainda que integrada nas oito melhores seleções europeias, Portugal foi afastado nos quartos de final do Europeu

Se nos dermos ao trabalho de verificar como se encontram elencados os países nos rankings da UEFA e da FIFA, ficamos a conhecer que Portugal se encontra no 7º lugar (europeu) e no 6º (mundial).

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Diogo Pinto / FPF

Mais precisamente: na FIFA, a Argentina segue no comando, seguida da França, Bélgica, Brasil, Inglaterra e Portugal; na UEFA, liderança para a Inglaterra, à frente da Itália, Espanha, Alemanha, França, Países Baixos (Holanda) e Portugal.

Daí que o espírito da equipa, que foi transmitido publicamente, fosse o de “porque estamos entre as oito melhores da Europa, o resultado obtido neste europeu da Alemanha foi positivo”. O que não deixa de ser uma verdade exata.

Mas era só isso que os portugueses queriam? Era só isso que a equipa nacional pretendia? Era só isso que a equipa achava que valia? Ou seria chegar à final, para tentar igualar o feito alcançado em 2016, quando se sagrou campeã europeia? Ou mesmo às meias-finais?

A verdade é que se ficou pelos “quartos”, quiçá envolvidos em “lençóis” que acabaram por “embrulhar” uma formação de largo espetro técnico-físico e mental que não soube “diversificar e aprimorar a equipa nacional” para ultrapassar, afinal, o que se verificou na noite deste dia 5 de julho de 2024. Saímos por baixo. Algo longe do até exigido.

Como é que uma equipa pode marcar golos, para ganhar, se durante a primeira parte deste Portugal-França nem sequer conseguiu fazer um remate para a baliza adversária (estatísticas UEFA e outras), ainda que tenha dominado a posse de bola em 60/40%, com uma vantagem de 311-247 passes, numa precisão de 93/90%?

Como se pode criar situações de golo se o corredor direito não teve ninguém para isso? Só funcionou o esquerdo, onde Rafael Leão muito porfiou, mas não teve ninguém na frente para ajudar!

Como aqui referimos na crónica de lançamento e na sequência das palavras ditas por Bernardo Silva e divulgadas no site da FPF, “podemos fazer melhor, claro que sim, mas é completamente diferente jogar uma qualificação e um Europeu. Estamos numa boa posição para garantir o acesso às meias-finais e ficarmos perto de chegar à final.”

Tendo acrescentado ainda que “é preciso Portugal a um nível altíssimo. Não estou de acordo quando dizem que não temos estado a um bom nível. Hoje podemos ir para casa ou ficar entre as 4 melhores da Europa. Para se estar aqui é porque o trabalho foi bem feito. Temos feito um trabalho espetacular. Frente à Eslovénia vou recordar para a minha vida. São momentos difíceis ir a um prolongamento, penáltis. Estar a uma curta distância de ficar fora do europeu. Foi um momento de grande euforia.”

E o que saiu do resultado deste Portugal-França? A eliminação!

Roberto Martínez, em discurso direto (site da FPF), referiu que “precisamos de estar orgulhosos dos jogadores, que lutaram e fizeram um desempenho muito bom. O futebol é cruel. Foi incrível, muito difícil, queríamos dar uma alegria ao povo português, esta equipa mostrou os valores de Portugal.”

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Diogo Pinto / FPF

“Foi um bom jogo. A França é boa equipa e jogámos olhos nos olhos, criámos oportunidades. Faltou precisão, marcar um golo. Foi um jogo de alto nível técnico e tático. Criámos perigo, chegámos nas duas alas, o Rafael Leão esteve sempre preparado para utilizar o seu talento. Quem entrou do banco ajudou e acrescentou. Foi muito bom desempenho, faltou o resultado.”

“Trabalhámos os penáltis muito, fizemos bem com a Eslovénia. Hoje a bola bate no poste e sai. É a diferença. Não é falta de qualidade ou de preparação. Uma equipa precisa de passar e a outra não pode, o futebol é assim. É cruel.”

Rafael Leão em discurso direto:

“Acabou a nossa caminhada. Agradecer o apoio de todos os portugueses. Não há muitas palavras. Infelizmente acabou. Os que jogaram e que entraram deram o máximo. O jogo decidiu-se nos detalhes, tivemos oportunidades e não fomos felizes. Penáltis é uma lotaria e a França foi feliz.”

“Aprender. É uma aprendizagem. Vai ajudar a crescer. Quero deixar uma palavra ao João Félix, que traz coisas diferentes que no futebol não há. Apesar de ter um episódio mau, é um talento incrível e vai dar a volta por cima.”

Pepe em discurso direto:

“O mais importante é dar os parabéns aos meus companheiros pela entrega que tiveram no jogo, cumprindo sempre o plano que tínhamos traçado para este jogo, mas o futebol é isso, é cruel.”

“Todos estávamos aqui com o objetivo de querer ganhar, de querer dar o nosso melhor pelo nosso país, obviamente não conseguimos dar essa alegria ao nosso povo, mas infelizmente o futebol é isso. É muito cruel. Há cinco dias ganhámos nos penáltis, hoje perdemos, há que dar força aos meus companheiros aos meus companheiros, que estamos num bom caminho.”

Fica registado!

“Quem faz o quê” e “saber estar e ser” foram outras “dicas” deixadas na perspetiva de algo acontecer. Não aconteceu!

Na segunda parte, a situação começou a melhor, com maior dinamismo – de um lado e do outro – mas a proficiência goleira não se vislumbrou, apesar de algumas incursões em que Diogo Costa e

Maignan (os guarda-redes) se impuseram e cortar o mal pela raiz.

À medida que o jogo caminhava para o final, os franceses criaram mais perigo e a bola só não entrou na baliza de Diogo Costa porque estava a atento, ainda que, por vezes, todos sentiram um “arrepio” quando a bola ainda deslizou pelo poste ou pela barra, sem que o guardião nacional tivesse oportunidade de chegar ao esférico. A sorte mantinha-se “portuguesa”.

Completando-se os 90+3’ minutos, o registo estatístico destes 90 minutos passou para 10-15 em remates (vantagem da França), dos quais 3-5 para a baliza (franceses ainda na frente), e bem que Portugal continuou a manter a posse de bola (60/40%) com vantagem, que não aproveitou, porque essa posse era de passes laterais e ou para trás, também com Portugal a chegar aos 643-438 passes (percentagem de precisão de 93/90%) mas, na prática, nada aconteceu.

Entrou-se na meia hora de prolongamento e aos 93’ Portugal teve uma oportunidade soberba para chegar ao golo, num passe de Francisco Conceição, a que Ronaldo não correspondeu como se esperava, tendo Pepe salvo Portugal de ficar em desvantagem (97’) quando a França chegou à área lusa.

Nos últimos 15’ de jogo, João Félix integrou a equipa e (108’) teve uma oportunidade para marcar, a assistência de Francisco Conceição – que foi outra alma viva depois de ter entrado (75’) – mas cabeceou para a malha lateral.

O “espalha brasas” manteve-se em bom nível – para tentar “acordar” o pessoal – mas partia sozinho, avançava e tinha que recuar porque não havia jogadores portugueses na frente, na linha de golo.

Mateus Nunes ainda entrou (118’) para o lugar de Vitinha (cansado), mas nada resultou, pelo que a última decisão seriam as grandes penalidades.

Neste final dos 120’, Portugal continuou com menos remates (14-19), dos quais 3-5 para a baliza, ainda que mantendo os 69/40% de posse de bola, com 865-585 passes (com uma precisão de 93/91%), que não foram transformados em golos. Zero absoluto.

Nas grandes penalidades, tudo foi diferente do que aconteceu frente à Eslovénia: Diogo Costa não defendeu nenhum dos cinco remates dos franceses e, no lado de Portugal, João Félix, quiçá entrado em campo por “obrigação” e não por “devoção”, acabou por rematar ao poste e colocar Portugal fora do europeu de futebol.

Mais uma oportunidade perdida para uma geração de ouro (e de milhões de milhões em transferências “transatlânticas”), em que Portugal perdeu a oportunidade de poder mostrar o que vale, com uma seleção nacional repleta de estrelas que, por motivos que não se descortinam (ou não se querem descortinar), vai perdendo fulgor atlético e histórico.

No outro jogo dos quartos de final, a Espanha venceu (2-1) a Alemanha, numa partida em que ambas as equipas se equilibraram durante os noventa minutos regulamentares (11-16 em remates, dos quais 5-4 para a baliza), numa posse de bola de 46/54% e numa previsão de passe de 85/85%.

Dani Olmo (51’) marcou para a Espanha e Florian Wirtz (89’) para a Alemanha, antes de se partir para o prolongamento.

Aos 119’ Merino colocou os espanhóis na dianteira, que se manteve até aos 120+6’, depois de Carvajal ter visto o cartão vermelho (120+5’), com as estatísticas a darem vantagem aos alemães, mas ao “de leve”.

Terminou a viagem de Portugal neste europeu’2024, mas a bola vai continuar a rolar até ao dia 14.

Para este sábado estão marcados os restantes jogos dos quartos de final, começando (17h) com o Inglaterra-Suíça e acabando (20h) com o Holanda-Turquia, recordando-se que a primeira meia-final terá lugar no dia 9 (20 h), entre a Espanha e França, para os vencedores dos jogos deste sábado se encontrarem no dia 10 (20h) na segunda meia-final.

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