Segundo a informação do IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, com a vinda Depressão MARTA, vem agitação marítima, chuva, vento e neve.
Prevê-se que esteja centrada em 43°N e 16°W às 09UTC de dia 7 de fevereiro, com uma pressão atmosférica no seu centro de 997 hPa, inserida numa vasta região depressionária centrada no Atlântico Norte.
Portugal continental irá sentir os efeitos da referida depressão, inicialmente com a aproximação à região Sul, em especial ao litoral desta região, na manhã de dia 7, com precipitação persistente e por vezes forte e com rajadas de vento da ordem de 100 km/h e de 120 km/h nas serras.
Poderá acontecer que os maiores valores acumulados de precipitação ocorram a sul do rio Tejo, incluindo a região da grande Lisboa, sendo mais prováveis no Alentejo e nas serras algarvias, com acumulados da ordem de 60 mm (litros/m2) em 24 horas, o que contribuirá para uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras destas áreas.
A partir da tarde, com o deslocamento da depressão para leste, prevê-se uma intensificação do vento no litoral Centro, com rajadas que poderão atingir os 90 km/h, bem como ocorrência de precipitação por vezes forte.
A precipitação ocorrerá sob a forma de neve acima de 900 metros de altitude, subindo temporariamente a cota para 1200/1400 metros entre o início da manhã e o final da tarde, com acumulados superiores a 25 cm acima de 1400 metros na Serra da Estrela.
A agitação marítima manter-se-á forte durante este período, prevendo-se ondas do quadrante oeste até 7 metros de altura significativa na costa ocidental, em especial a sul do Cabo Carvoeiro, podendo atingir 13 metros de altura máxima, sendo ondas até 5 metros de sudoeste na costa sul do Algarve.
Devido a esta situação já foram emitidos avisos meteorológicos de níveis AMARELO e LARANJA de precipitação, neve, rajada de vento e agitação marítima, aconselhando-se o acompanhamento das atualizações dos mesmos.
Portugal continental registou um período excecionalmente chuvoso
Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, Portugal continental registou um período excecionalmente chuvoso, posicionando-se entre os mais intensos das últimas décadas. Este trimestre foi o 7º mais chuvoso desde 1931 e o 2º mais elevado desde 2000, com precipitação acumulada acima da média em todo o território.
O ano hidrológico 2025/26, iniciado a 1 de outubro, apresenta-se como um dos mais chuvosos dos últimos 25 anos, sendo até ao momento o 2º mais elevado desde 2000 e com valores já cerca 1.5 a 2 vezes o valor normal na maior parte das bacias hidrográficas. Em várias regiões, a precipitação acumulada aproxima-se ou já corresponde ao valor médio anual esperado.
O mês de janeiro de 2026 destacou-se de forma particular, com um total de precipitação cerca do dobro do valor médio mensal, classificando-se como o 2º janeiro mais chuvoso desde 2000 e o 14º desde 1931. Todas as estações meteorológicas registaram valores superiores ao normal, e em grande parte do país a precipitação variou entre 150% e 300% da média, atingindo localmente valores ainda mais elevados.
Este padrão resultou da predominância de circulação atmosférica de oeste, associada a transporte intenso de humidade do Atlântico, favorecendo episódios frequentes e persistentes de precipitação, com impacto positivo nos volumes armazenados nas principais bacias hidrográficas.

