Sexta-feira 03 de Dezembro de 3182

A idade das paisagens associa Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO a equipa de investigação internacional

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Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO

Quantos milhares ou milhões de anos foram necessários para formar a paisagem que mais gostamos? Esta é uma questão com resposta para Tibor Dunai e sua equipa do Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia, na Alemanha. O Dr. Dunai e parte da sua equipa internacional estiveram no Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO em busca de novos dados que levem a conhecer o modo como a paisagem evoluiu e o vale do Tejo se formou.

“Esta é uma oportunidade dourada para obtermos mais respostas sobre a idade do Tejo e os processos que levaram ao seu desenvolvimento no decurso de importantes mudanças climáticas que decorreram nos últimos milhões de anos”, refere Carlos Neto de Carvalho, coordenador científico do Geopark Naturtejo.

A equipa internacional do CRONUS – Projecto Terra utiliza isótopos cosmogénicos para determinar há quanto tempo uma rocha foi exposta à superfície por erosão ou um solo foi formado, permitindo conhecer taxas de erosão com diversas aplicações, como em estudos de processos erosivos, de actividade tectónica ou de formação de solos.A interacção entre os raios cósmicos que nos chegam constantemente das zonas mais remotas da galáxia, com rochas e solos expostos à superfície da Terra, produz isótopos estáveis e radioactivos. A sua abundância permite determinar importante informação cronológica dos últimos milhares a dezenas de milhões de anos da História da Terra.

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Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO

A equipa de investigação alemã foi atraída pelas paisagens muito antigas que envolvem o vale do Tejo descritas em trabalhos recentemente publicados pela equipa do Geopark Naturtejo, bem como pelos estudos desenvolvidos pelos investigadores Pedro Proença e Cunha e António Martins sobre a evolução da paisagem na região, especialistas portugueses que também integram esta parceria com o geoparque.

Com o apoio no terreno da Naturtejo, EIM, a equipa obteve mais de 180 kg de amostras de rochas recolhidas entre os granitos de Alpalhão e o importante geomonumento das Portas de Almourão, próximo das aldeias de Foz do Cobrão e Sobral Fernando. O trabalho de campo contou com o apoio de locais que abriram as portas das suas propriedades, bem como da empresa Manuel Pedro de Sousa & Filhos, que permitiu à equipa a realização de um perfil de amostragem completo na frente da pedreira que reiniciaram recentemente a exploração em Alpalhão.

As amostras foram encaminhadas para o Laboratório de Isótopos Cosmogénicos coordenado por Steven Binnie, na Universidade de Colónia, e os primeiros resultados serão conhecidos na próxima primavera.

Este e outros projectos científicos ampliam o conhecimento sobre o território Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO numa perpectiva de valorização do seu património natural. Pretende-se uma vez mais que estes projectos envolvam as comunidades locais e que, neles, estas encontrem relevância para actividades económicas com forte potencial para a região, como o Turismo de Natureza, mas também para outras indústrias e actividades agrícolas num contexto de mudanças climáticas.

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